lugar do texto

Revisão de textos académicos, literários e técnicos
Produção de conteúdos de escrita
(letras de canções, slogans publicitários, discursos de homenagem, biografias, etc.)

VERA DE VILHENA
(autora, revisora de texto, coordenadora de oficinas de escrita criativa, vencedora do Prémio Revelação APE/Babel)

DESEJA FAZER UMA EDIÇÃO DE AUTOR OU ENVIAR UM ORIGINAL PARA UMA EDITORA? LEMBRE-SE DE QUE NÃO HÁ UMA SEGUNDA OPORTUNIDADE PARA CAUSAR UMA PRIMEIRA BOA IMPRESSÃO... NÃO SE PRECIPITE E CUIDE DA REVISÃO DA SUA OBRA COM A "LUGAR DO TEXTO"



"Uma grande surpresa, tanto na composição como na escrita. Compôs e escreveu duas canções que me assentam como uma luva. Fonte de delicadeza e elegância, assim defino a Vera de Vilhena, como pessoa e como artista."
RITA GUERRA
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sábado, 17 de novembro de 2012

Acordo Ortográfico

Porque é preciso humor.....sempre :)
Autoria do texto: ANTÓNIO EUSTÁQUIO

ACORDO ORTOGRÁFICO
Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e 
acompanhando a forma como as pessoas realmente falam . 
Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a 
mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros . 
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas . 
É um fato que não se pronunciam . 
Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ? 
O que estão lá a fazer ? 
Aliás, o qe estão lá a fazer ? 
Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade . 
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra . 
Porqe é qe "assunção" se escreve com "ç" "ascensão" se escreve com "s" ? 
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. 
Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o "ç" . 
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o "ç" e o substitua por um simples "s" o qual passaria a ter um único som . 
Como consequência, também os "ss" deixariam de ser nesesários já qe um "s" se pasará a ler sempre e apenas "s" . 
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas,designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. 
Claro, "uzar", é isso mesmo, se o "s" pasar a ter sempre o som de "s" o som "z" pasará a ser sempre reprezentado por um "z" . 
Simples não é? se o som é "s", escreve-se sempre com s. Se o som é "z" escreve-se sempre com "z" . 
Quanto ao "c" (que se diz "cê" mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de "q") pode, com vantagem, ser substituído pelo "q". Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. 
Nada de "k" .Ponha um q. 
Não pensem qe me esqesi do som "ch" . 
O som "ch" será reprezentado pela letra "x". 
Alguém dix "csix" para dezinar o "x"? Ninguém, pois não ? 
O "x" xama-se "xis". 
Poix é iso mexmo qe fiqa . 
Qomo podem ver, já eliminámox o "c", o "h", o "p" e o "u" inúteix, a tripla leitura da letra "s" e também a tripla leitura da letra "x" . 
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex . 
Não, não leiam "simpléqs", leiam simplex . 
O som "qs" pasa a ser exqrito "qs" u qe é muito maix qonforme à leitura natural . 
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente . 
Vejamox o qaso do som "j" . 
Umax vezex excrevemox exte som qom "j" outrax vezex qom "g"- ixtu é lójiqu? 
Para qê qomplicar ? ! ? 
Se uzarmox sempre o "j" para o som "j" não presizamox do "u" a segir à letra "g" poix exta terá, sempre, o som "g" e nunqa o som "j" . 
Serto ? 
Maix uma letra mud a qe eliminamox . 
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem ! 
Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ? 
Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ? 
Outro problema é o dox asentox. 
Ox asentox só qompliqam ! 
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox . 
A qextão a qoloqar é: á alternativa ? 
Se não ouver alternativa, pasiênsia. 
É o qazo da letra "a" . 
Umax vezex lê-se "á", aberto, outrax vezex lê-se "â", fexado . 
Nada a fazer. 
Max, em outrox qazos, á alternativax . 
Vejamox o "o": umax vezex lê-se "ó", outrax lê-se "u" e outrax, lê-se "ô" . 
Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso ! 
qe é qe temux o "u" ? 
Se u som "u" pasar a ser sempre reprezentado pela letra "u" fiqa tudo tão maix fásil ! 
Pur seu lado, u "o" pasa a suar sempre "ó", tornandu até dexnesesáriu u asentu. 
Já nu qazu da letra "e", também pudemux fazer alguma qoiza : quandu soa "é", abertu, pudemux usar u "e" . 
U mexmu para u som "ê" . 
Max quandu u "e" se lê "i", deverá ser subxtituídu pelu "i" . 
I naqelex qazux em qe u "e" se lê "â" deve ser subxtituidu pelu "a" . 
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex . 
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u "til" 
subxtituindu, nus ditongux, "ão" pur "aum", "ães" - ou melhor "ãix" - pur 
"ainx" i "õix" pur "oinx" . 
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de 
arqaíxmux. 
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a 
simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu 
mundu . 
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Acordo Ortográfico 2

Aqui fica um texto bem escrito, de Manuel Halpern, que refle(c)te o sentimento de muito boa gente. Há ternura neste texto, sente-se o amor pelas palavras, mas também se lê um esforço de desdramatização.

"Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. São muitos anos de convívio

Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo?  Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar."
(in revista VISÃO, outubro 2010)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Acordo Ortográfico 1

A LUGAR DO TEXTO nasceu hoje e anda a pensar nas transformações que a escrita da língua portuguesa tem sofrido. Durante muito tempo fui contra o Acordo Ortográfico. No entanto, tenho de dar a mão à palmatória, depois de pegar numa edição de 1888, de uma obra de Júlio Verne. Basta olhar para a forma como se escrevia no séc. XIX e conclui-se que a escrita está em evolução constante, o que não é necessariamente mau.

Mudam palavras como: inspe(c)ção - inspeção
                                    a(c)tivar - ativar

Mantêm-se: facto
                  característica

Ou seja, foram eliminadas apenas as consoantes mudas, neste caso, o "c".

E será que o "p" faz assim tanta falta no "ótimo"?